sábado, 26 de abril de 2014

O papel que nos embrulha

No portal, ele deu de cara com o amigo de tantas vidas.
Já não lembrava mais em qual delas ele havia sido 
padre e o outro, escriba. 
Ele agiota, o outro, cafetina. 
Ele bailarina, o outro, juiz.
Ele disse que jamais voltaria a ser embrulhado.
- Papel, agora, só de direção!
O outro, cabisbaixo, respondeu.
- Foi o que prometemos da última vez.
E lá foram ambos para a fila, pegar a senha, 
decorar o script, aguardar o chamado.
Nova tentativa de escapar da ficção.

virginia finzetto





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