terça-feira, 5 de novembro de 2019

NEOLIBERALISMO

desmonte é a pior forma de destruição. 
é o arrancar da casca que mal se forma 
em uma ferida sem cicatrização.

virginia finzetto

ASSIM É...

a impressão que tenho sobre a falta de mobilização consistente contra esse governo é a distração que leva a maioria não aguentar pensar sequer sobre o pensável, então prefere crer que o impensável jamais acontecerá, como se fosse possível evitá-lo da mesma maneira que se tenta adiar a morte. com isso, ficamos submetidos ao medo travestido de credulidade em uma oca esperança falaciosa. refugiar-se na ignorância é não abastecer o camelo com água bastante na travessia desse conhecido deserto. os milagres existem, mas é preciso ter visão para enxergá-los. até nisso é necessário uma grande dose de coragem e muita atenção. acordar, viver de acordo com o coração, esse órgão que sabe de tudo, antes mesmo dos olhos.

virginia finzetto

TARDE DEMAIS!

Título do meu livro procrastinado: 
"Perdemos Vladivostok em 2013". 
Agora Inês é morta 
e a Terra, plana.

virginia finzetto

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

CONSULTA

quando tento entender minhas doenças autoimunes, penso nelas como seres. vejo direitinho as carinhas de criança peralta. coloquei as duas sentadinhas na minha frente para bater um papo, assim, sem neura. não quis passar pito, dar bronca, apenas as chamei para tentarmos, juntas, investigar o início de tudo. senti, pela expressão de interrogação, que elas pouco sabem sobre o assunto. são apenas mercurianas entregando o recado. agitadas, querem logo escapulir para brincar. não fixam muita atenção em mim. seus olhinhos ligeiros sondam o entorno como que procurando os lugares para novos estragos. eu daqui, inclino a cabeça, sorrio dando tchauzinho. deixa elas... 

virginia finzetto

terça-feira, 15 de outubro de 2019

CATAPULTA

- vai se catá!, debochava a pulta, 
até ser defenestrada!

virginia finzetto

OCO

a tendência de ocupar os espaços vazios nos leva a preencher imediatamente o que descartamos como sem importância, até que não haja vazios. no oco, no vão, no vácuo reside um mínimo de chance de se cultivar a dúvida, de se espantar com o maravilhoso que é a presença ausente de qualquer importância e da insustentável falta dela.

virginia finzetto

sábado, 12 de outubro de 2019